Mas lá estava o Clé me esperando, rapaz brasileiro casado com uma francesa, técnico em TI transformado em operador de transfers e guia, enviado pelo Carlos para me buscar. Que bom que meu vôo chegou durante o dia, pois o trajeto do aeroporto até o centro naquela tarde ensolarada valeu como um rápido city tour.
Meu destino era a Rue de Varenne na esquina com a Rue du Bac, em pleno 7e Arrondissement e epicentro dos acontecimentos com seu comércio muito transado. Para os que conhecem São Paulo, essa esquina é o equivalente, digamos, àquela da Padre João Manuel com a Oscar Freire.
Dois curtos e suaves lances de escada acima, me instalei num apartamento emprestado pelo Carlos. A decoração em tons de vinho, verde musgo, beiges e ocres, reunia com muito bom gosto não só peças de lá e de cá, mas também da Turquia, da Índia e do Sudeste Asiático. Quadros, gravuras, livros e guias davam um colorido adicional e a iluminação indireta dos abajures - que não dispensava porém um lustre de cristal no quarto - conferia o toque final de aconchego àqueles ambientes amplos de pé direito alto e janelões.
Tudo isso aliado à tecnologia de acesso sem fio à internet, TV de plasma, telefones sem fio com secretária eletrônica, uma mini-cozinha moderna e ao conforto "brasileiro" supremo de closets espaçosos e banheiros equipadíssimos com requintados pisos em cerâmica preta e branca. Sim, eram dois closets e dois banheiros pois, além do quarto com sua cama king size, a sala com seu sofá cama podia ser usada como quarto extra.
Para completar, o Clé ainda me emprestou um celular e, se eu quisesse, ainda havia uma bicicleta à disposição se bem que para quem tiver vontade de pedalar por Paris, há um fantástico sistema público de aluguel de bicicletas, pode-se pegar uma num ponto e deixá-la em outro. No entanto, minha vontade era não sair mais daquele apartamento, só queria me deixar envolver por aquela atmosfera acolhedora, pois, naquele momento, a turista havia dado lugar à residente...
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